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Empréstimo Fácil Brasil

Portabilidade de crédito: como levar sua dívida para juros menores

A portabilidade de crédito permite transferir um empréstimo para outra instituição com condições melhores. Veja o passo a passo e como comparar pelo CET.

Atualizado em

A portabilidade de crédito é o direito de transferir um empréstimo ou financiamento de uma instituição para outra que ofereça condições melhores, sem precisar quitar a dívida com recursos próprios. A nova instituição paga o saldo devedor à antiga, e você passa a pagar as parcelas para a nova. A regra é definida pelo Conselho Monetário Nacional e supervisionada pelo Banco Central, e a instituição de origem não pode impedir a transferência.

Como funciona a portabilidade de crédito

O mecanismo tem três partes:

  • Instituição de origem: onde está o contrato atual.
  • Instituição proponente: a que oferece as novas condições e vai assumir a dívida.
  • Você: quem decide se a transferência compensa.

A operação é feita entre as instituições, sem que o dinheiro passe pela sua conta. Na portabilidade, o valor transferido corresponde ao saldo devedor do contrato, e o novo contrato não pode ter valor maior nem prazo maior do que o restante do contrato original. Se você quiser dinheiro adicional ou alongar o prazo, isso deixa de ser portabilidade e passa a ser um refinanciamento, com outras regras e outro custo.

O que pode ser transferido

A portabilidade vale para operações de crédito em geral contratadas por pessoa física, como empréstimo pessoal, consignado, financiamento de veículo e financiamento imobiliário. As regras e documentos exigidos variam por modalidade; confirme na instituição proponente e nas orientações do Banco Central (bcb.gov.br).

Passo a passo para pedir

  1. Descubra o que você deve hoje. Peça à instituição de origem o saldo devedor atualizado, o número do contrato, a taxa de juros e o CET. Você também pode conferir suas operações no Registrato do Banco Central.
  2. Procure propostas. Leve esses dados a outras instituições e peça uma proposta de portabilidade por escrito, com taxa de juros, CET e valor das novas parcelas.
  3. Compare. Use o mesmo saldo e o mesmo prazo restante em todas as propostas (veja a seção abaixo).
  4. Formalize o pedido na instituição proponente. É ela que solicita as informações à instituição de origem e conduz o processo.
  5. Aguarde a resposta da instituição de origem. Ela pode fazer uma contraoferta para manter o contrato.
  6. Confirme a quitação. Depois da transferência, peça o comprovante de liquidação do contrato antigo e confira se as cobranças pararam.

Informações para ter em mãos

Ter os dados certos acelera o processo e evita propostas baseadas em números errados:

  • Número do contrato e nome da instituição de origem.
  • Saldo devedor atualizado, com a data de referência.
  • Quantidade de parcelas restantes e valor da parcela atual.
  • Taxa de juros e CET do contrato atual, que constam no contrato ou podem ser solicitados à instituição.
  • Documento de identidade, CPF e comprovantes pedidos pela instituição proponente.
  • No consignado, informações do benefício ou do vínculo de trabalho, porque o desconto em folha também precisa ser transferido.

Se você não tiver o contrato, peça a segunda via à instituição de origem. Ela deve fornecer essas informações, e a instituição proponente também pode solicitá-las no curso do processo.

Como comparar o CET da nova proposta

O critério principal é o CET anual do novo contrato contra o CET do contrato atual, considerando o mesmo saldo e o mesmo número de parcelas restantes. A taxa nominal sozinha engana, porque tarifas, seguros e IOF entram no custo final. O guia O que é CET explica cada componente.

Exemplo ilustrativo (números hipotéticos, sem tarifas e tributos): saldo devedor de R$ 15.000, com 24 parcelas restantes.

Item Contrato atual Proposta de portabilidade
Taxa de juros 4,0% ao mês 2,5% ao mês
Parcela (Price) R$ 983,80 R$ 838,69
Total das 24 parcelas R$ 23.611,26 R$ 20.128,62
Diferença — R$ 3.482,64 a menos

Neste exemplo, a transferência reduziria a parcela em cerca de R$ 145 por mês. Na vida real, confira se a proposta inclui seguro, tarifa ou outro custo que reduza essa vantagem. Para refazer a conta com os seus números, use o simulador de empréstimo.

Checklist da comparação

  • O valor transferido é igual ao saldo devedor informado pela instituição de origem?
  • O prazo é igual ou menor que o restante do contrato atual?
  • O CET anual da nova proposta é menor que o atual?
  • Há seguro prestamista ou outro produto incluído? Ele é opcional?
  • O total das parcelas restantes diminui de fato?

Contraofertas: como avaliar

É comum a instituição de origem, ao saber do pedido, oferecer uma redução de taxa para que você fique. Isso pode ser bom, mas exige o mesmo cuidado:

  • Peça a contraoferta por escrito, com a nova taxa, o novo CET e o valor das parcelas.
  • Compare contraoferta e proposta pelo CET, nas mesmas condições de saldo e prazo.
  • Desconfie de mudanças de prazo ou valor. Se a contraoferta alonga o contrato ou libera "troco", você está diante de um refinanciamento, e o total pago pode aumentar mesmo com parcela menor.
  • Não aceite pressa. Uma proposta legítima pode ser analisada com calma.

Cuidados e sinais de golpe

Golpistas também exploram a portabilidade, apresentando-se como "central de portabilidade" ou correspondente bancário. Atenção:

  • Nenhuma instituição séria cobra taxa, depósito ou "quitação prévia" para fazer a portabilidade. O pagamento do saldo é feito diretamente entre as instituições.
  • Desconfie de contato não solicitado por telefone, SMS ou aplicativo de mensagens oferecendo portabilidade com juros muito baixos.
  • Não envie dinheiro para quitar o contrato antigo a pedido de terceiros.
  • Confirme se a instituição é autorizada a funcionar pelo Banco Central antes de enviar documentos.

O guia sobre golpe da falsa portabilidade e do pagamento antecipado detalha como verificar e onde denunciar.

Quando a portabilidade pode não compensar

  • Quando falta pouco para terminar o contrato. A maior parte dos juros já foi paga nas primeiras parcelas (especialmente na Tabela Price), e a economia restante pode ser pequena.
  • Quando a diferença de CET é pequena e há custos novos na proposta.
  • Quando você consegue quitar ou antecipar parcelas com recursos próprios, com direito à redução proporcional dos juros.

Se a instituição de origem dificultar

Recusar ou atrasar indevidamente a portabilidade não é permitido. Registre uma reclamação no SAC e na ouvidoria da instituição; se não houver solução, é possível registrar reclamação no Banco Central e na plataforma consumidor.gov.br, além de procurar o Procon.

Perguntas frequentes

A instituição pode negar a portabilidade de crédito?

A instituição de origem não pode impedir a transferência. A instituição proponente, porém, faz a própria análise de crédito e pode não aprovar a nova operação. Se a origem dificultar, reclame no SAC, na ouvidoria e, se necessário, no Banco Central.

Na portabilidade posso pegar dinheiro a mais?

Não. Na portabilidade, o valor transferido é o saldo devedor e o prazo não pode ser maior que o restante do contrato. Liberar valor adicional caracteriza refinanciamento, que é outra operação, com outro custo.

Tem custo para fazer a portabilidade?

A transferência em si não deve gerar cobrança antecipada ao cliente. O novo contrato pode ter tarifas, tributos e seguros, e todos eles devem aparecer no CET da proposta. Nunca faça depósitos para liberar a portabilidade.

Como saber se a portabilidade vale a pena?

Compare o CET anual da nova proposta com o do contrato atual, no mesmo saldo e prazo restante, e confira se o total das parcelas restantes realmente diminui.