A taxa de juros do consignado costuma estar entre as mais baixas do crédito para pessoa física, porque a parcela é descontada diretamente do benefício ou do salário. Mas "consignado" não é um produto único: as regras e as faixas de juros mudam conforme você seja aposentado ou pensionista do INSS, servidor público ou trabalhador com carteira assinada. Esta página compara os três casos e mostra como avaliar uma proposta.
O que é o crédito consignado
É um empréstimo em que as parcelas são descontadas automaticamente da folha de pagamento ou do benefício previdenciário, antes de o dinheiro chegar à sua conta. Esse desconto reduz o risco de inadimplência para a instituição, e é por isso que os juros tendem a ser menores.
Em contrapartida, o desconto é obrigatório enquanto durar o contrato. Você perde a flexibilidade de escolher o que pagar primeiro num mês apertado.
Para quem é
- Aposentados e pensionistas do INSS, com contratação vinculada ao benefício.
- Servidores públicos federais, estaduais e municipais, conforme convênio do órgão com a instituição.
- Trabalhadores com carteira assinada (CLT), por meio de convênio com o empregador ou de programas oficiais que permitem a consignação em folha para empregados do setor privado.
- Em alguns casos, militares e beneficiários de outros regimes, com regras próprias.
Teto de juros e margem consignável
Dois conceitos limitam o consignado:
Teto de juros. Para o consignado do INSS, há um limite máximo de taxa definido pelo Conselho Nacional de Previdência Social, que é revisado periodicamente. Órgãos públicos também podem fixar tetos para seus servidores. Como esses valores mudam com frequência, não os reproduzimos aqui: confira o teto vigente no site oficial do INSS (gov.br/inss) ou na norma do seu órgão antes de comparar propostas.
Margem consignável. É o percentual máximo da renda que pode ser comprometido com descontos em folha. A lei define esse limite e, em alguns casos, separa uma parte para cartão consignado ou cartão de benefício. Os percentuais já foram alterados mais de uma vez, então consulte a regra atual no gov.br ou no setor de recursos humanos.
Ter margem disponível não significa que comprometê-la inteira seja prudente. A parcela sai antes do restante das suas contas.
Taxa de juros do consignado: INSS, servidores e CLT comparados
| Público | Como o desconto é feito | O que costuma influenciar a taxa |
|---|---|---|
| Aposentados e pensionistas do INSS | Desconto direto no benefício | Teto oficial, prazo, concorrência entre instituições |
| Servidores públicos | Desconto em folha do órgão | Estabilidade do vínculo, convênio do órgão, eventual teto local |
| Trabalhadores CLT | Desconto em folha do empregador | Risco de desligamento, tempo de empresa, garantias adicionais previstas em regra |
De modo geral, as taxas para servidores e beneficiários do INSS tendem a ser menores que as do consignado privado, porque o vínculo é mais estável. No consignado CLT, o risco de demissão pesa no preço. As médias atualizadas de cada modalidade estão disponíveis na consulta de taxas de juros por instituição do Banco Central, separadas por público.
Vantagens e riscos
Vantagens
- Juros geralmente menores que os do empréstimo pessoal e muito menores que os do cartão e do cheque especial.
- Prazos mais longos e parcelas fixas.
- Pode ser usado para quitar dívidas caras.
Riscos
- Desconto obrigatório reduz a renda disponível por anos.
- Prazos longos aumentam o total de juros, mesmo com taxa baixa.
- No consignado CLT, a perda do emprego muda as condições de pagamento; leia o contrato com atenção.
- Alvo frequente de contratação não autorizada e de oferta insistente.
Documentos normalmente pedidos
- Documento de identidade com foto e CPF.
- Comprovante de residência.
- Extrato do benefício (INSS) ou contracheque recente (servidor e CLT).
- Dados bancários.
No caso do INSS, a contratação passa por autorização do próprio beneficiário, e o extrato de empréstimos consignados pode ser consultado pelo Meu INSS.
Como comparar propostas de consignado
- Confirme a margem disponível no Meu INSS ou com o RH.
- Peça propostas com o mesmo valor e o mesmo prazo.
- Compare o CET anual, não só a taxa mensal. O guia o que é CET mostra por que isso faz diferença.
- Veja o valor total pago ao fim do contrato.
- Verifique se há seguro embutido. Seguro prestamista é opcional e não pode ser condição para o crédito.
Se você já tem um consignado com taxa alta, a portabilidade de crédito permite levar a dívida para outra instituição com condições melhores, sem custo para mudar.
Cuidados contra golpes
- Desconfie de ligações oferecendo "crédito liberado" ou "valor a receber" em seu nome. É uma abordagem comum de golpe e de venda abusiva.
- Nunca pague para liberar o consignado. Nenhuma empresa séria cobra valor antecipado para liberar empréstimo.
- Confira os descontos todo mês no extrato do benefício ou no contracheque. Contratos que você não reconhece devem ser contestados imediatamente na instituição e, no caso do INSS, pelos canais oficiais.
- Use o Registrato do Banco Central para ver todas as operações de crédito registradas no seu CPF.
- Não entregue cartão, senha ou documentos a intermediários sem confirmar que são correspondentes autorizados.
Como decidir
O consignado costuma ser a opção mais barata entre os créditos sem garantia real, mas só compensa se a parcela couber no orçamento por todo o prazo. Antes de assinar, compare o CET de pelo menos três instituições e confira o teto vigente na fonte oficial.