Registrato para comparar custos: saldo devedor, taxa e prazo de cada empréstimo
O Registrato mostra, de graça, as operações de crédito no seu CPF. Veja como transformar o relatório em uma tabela de saldo devedor, taxa e prazo e decidir o que vale portar, quitar ou manter.
O Registrato do Banco Central é o ponto de partida para comparar o custo das suas dívidas: ele lista, de graça, as operações de crédito registradas no seu CPF, com instituição, modalidade e saldos a vencer e vencidos. Com esses dados, completados pela taxa e pelo CET de cada contrato, você monta uma tabela que mostra qual dívida custa mais. A partir dela, decide o que vale levar para a portabilidade, o que quitar primeiro e o que manter.
A seguir, mostramos o que o relatório traz, o que você precisa completar com cada instituição e como usar a tabela para decidir.
O que o Registrato mostra sobre seus empréstimos
O relatório de empréstimos e financiamentos é gerado a partir do Sistema de Informações de Créditos (SCR), alimentado pelas instituições financeiras. Ele costuma trazer:
| Campo | Para que serve na comparação |
|---|---|
| Instituição | Saber com quem negociar cada dívida |
| Modalidade | Separar o que costuma ser caro (cartão, cheque especial) do que costuma ser barato (consignado, crédito com garantia) |
| Valores a vencer, por faixa de prazo | Estimar o saldo e por quanto tempo a dívida ainda corre |
| Valores vencidos | Identificar atrasos, que somam multa e juros de mora |
| Prejuízo | Dívidas antigas que ainda podem ser cobradas ou renegociadas |
| Limites | Crédito disponível, que só vira dívida quando usado |
O formato do relatório pode mudar e o nível de detalhe por operação depende da versão em vigor. Confira a versão atual na página do Registrato em bcb.gov.br.
O que você precisa completar com cada instituição
Para comparar custo, saldo não basta: é preciso saber quanto cada contrato cobra. Se a taxa e o CET não aparecerem no relatório, peça diretamente a cada instituição:
- Taxa de juros e CET do contrato, ao mês e ao ano. O CET é o número que permite comparar contratos diferentes; veja o que é CET.
- Saldo devedor para quitação na data de hoje, já com o desconto dos juros futuros a que você tem direito.
- Número de parcelas restantes e valor de cada uma.
- Encargos em aberto, se houver parcelas vencidas.
Essas informações costumam estar no aplicativo da instituição, na área do contrato, ou podem ser pedidas ao SAC. Guarde o protocolo.
Como acessar o Registrato
- Acesse o site oficial do Banco Central (bcb.gov.br) e procure por "Registrato". Desconfie de links recebidos por mensagem.
- Entre com sua conta gov.br. Alguns relatórios podem exigir um nível de segurança maior da conta.
- Escolha o relatório de empréstimos e financiamentos e o período, quando houver a opção.
- Visualize ou baixe o relatório.
O serviço é gratuito. Ninguém precisa ser pago para você consultar o Registrato, e o Banco Central não entra em contato pedindo dados ou pagamentos relacionados ao sistema.
Monte a tabela de comparação
Com o relatório e as informações das instituições, organize uma linha por contrato e ordene pelo CET, do maior para o menor. Exemplo ilustrativo, com números hipotéticos:
| Contrato | Saldo devedor | CET ao mês | Parcelas restantes | Prioridade |
|---|---|---|---|---|
| Cartão de crédito parcelado | R$ 3.000 | 9% | 10 | 1ª |
| Cheque especial | R$ 2.000 | 8% | sem prazo definido | 2ª |
| Empréstimo pessoal | R$ 6.000 | 4% | 18 | 3ª |
| Consignado | R$ 12.000 | 1,8% | 48 | 4ª |
A leitura é direta: cada real que sai do topo da tabela deixa de pagar juros muito maiores do que um real usado para adiantar o consignado. Veja por que rotativo e cheque especial costumam liderar em juros do cartão de crédito e juros do cheque especial.
Portabilidade, quitação ou manter: como decidir
| Situação do contrato | Caminho que costuma custar menos |
|---|---|
| Você tem dinheiro parado rendendo menos que o CET da dívida | Quitação antecipada, começando pelo maior CET |
| Outra instituição oferece CET menor para o mesmo saldo e prazo | Portabilidade de crédito |
| A dívida cara é de cartão ou cheque especial | Trocar por crédito de CET menor e não voltar a usar o limite |
| O CET já é baixo, como no consignado | Manter e priorizar as outras |
| Há parcelas vencidas | Regularizar primeiro, porque multa e juros de mora se somam ao custo |
Duas regras práticas ajudam:
- Compare CET com CET, no mesmo prazo. Uma proposta de portabilidade só vale se o novo CET for menor e o total a pagar cair.
- Desconfie de "parcela menor" com prazo maior. Alongar o prazo reduz a parcela, mas pode aumentar o total pago; veja refinanciamento de empréstimo.
Para testar quanto custaria trocar uma dívida por outra, use o simulador de empréstimo com o saldo devedor e o prazo restante.
Erros comuns ao interpretar o relatório
- Achar que limite é dívida. Limites de cartão e cheque especial aparecem no relatório, mas só viram dívida quando são usados.
- Tratar valores a vencer como saldo para quitação. O valor para quitar hoje deve ser pedido à instituição, com o desconto dos juros futuros.
- Comparar pela parcela. A parcela depende do prazo; o custo se compara pelo CET e pelo total.
- Esquecer a defasagem. As instituições enviam os dados periodicamente, então operações muito recentes podem ainda não aparecer.
- Usar o relatório como comprovante de quitação. Para isso, vale o termo de quitação emitido pela instituição.
Depois da portabilidade ou da quitação
Algumas semanas depois, consulte o Registrato de novo para confirmar que o contrato antigo foi encerrado e que a nova operação aparece com o saldo correto. Se surgir uma operação que você não reconhece, contate a instituição pelos canais oficiais, conteste formalmente, registre boletim de ocorrência em caso de fraude e, sem solução, recorra à ouvidoria e ao Banco Central. Ofertas de "redução de juros" que chegam por telefone merecem atenção redobrada; veja o golpe da falsa portabilidade.